Minha visão sobre mais um Clickbait — Esqueça Metodologias “Ágeis”

Esqueça Metodologias “Ágeis” | [Rated R]

Algumas pessoas pediram minha opinião sobre este vídeo, outras pedem a todo momento em grupos e conversas, como são muitos os pontos abordados, acredito que a simples resposta “concordo” ou “discordo” não seja válida. Trago meus pontos de vista aqui e recomendo que o vídeo seja assistido, se achar muito longo, pule para os 34 minutos e assista até o fim neste trecho há muita assertividade sobre o que é minimante necessário para que o resto aconteça.

Agilidade

Ser ágil e não fazer ágil, a mais de 10 anos bato nesta tecla. É impressionante ver como as pessoas não compreendem esta diferença brutal. Ser requer esforço e comprometimento contínuo, fazer requer uma sequência de atos até o cumprimento de determinado objetivo. Quando se fala de valores e principios o “fazer” não cabe.

Valores

Sim, eles importam muito mais do que qualquer método ou ferramenta. Acredite, se você estiver exercitando aqueles valores e principios que os autores do manifesto ágil identificaram como comuns em relação as diversas formas que trabalhavam, certamente você terá clientes satisfeitos e estará fazendo uso de boas práticas de engenharia de software e gestão.

Por este motivo costumo falar de agilidade e de frameworks ou ferramentas em momentos completamente distintos.

Software

Somos profissionais da área de desenvolvimento de software, sabemos a complexidade que é desenvolver esta atividade, por este motivo boas práticas são fundamentais e pilares para um bom trabalho nesta área do conhecimento. A grande questão é que há muita negligência sobre boa engenharia de software, e não me venha falar que é só culpa do seu gerente, seu chefe, seu líder, seu cliente, você que desenvolve também tem boa parcela de culpa nisto. Sendo assim estudar, defenfender e disseminar boas práticas é sua obrigação profissional.

Frameworks, Métodos e Ferramentas

Não será Scrum, Kanban, JIRA, Azure DevOps, Git, XP ou qualquer outro framework, método ou ferramenta que irá resolver seus problemas como uma fórmula mágica. Sinto que o vídeo traz uma visão pejorativa de alguns e positiva de outros. Como eu penso? Frameworks, métodos e ferramentas devem sempre auxiliar seu trabalho e trazer vantagens para você e seu cliente. Querendo ou não, com cunho comercial ou não, estes modelos possuem bagagem teórica e prática que não devem ser ignorados, evoluímos como espécie principlamente pela nossa capacidade de transmitir conhecimento e aprimora-los. Partir do zero me parece perda de tempo. Então, conheça as possibilidades e adote o que fizer sentido para você, sem overhead.

Profissionalismo  -  Liberdade, libertinagem e accountability

10 minutos preciosos ao final do vídeo. A fórmula é bem simples ou você tem pessoas dedicadas, responsáveis, comprometidas com suas entregas, com as entregas do grupo e da empresa ou você tem um ambiente de mediano para ruim, faça o que quiser, implante método que quiser. Software são feitos por pessoas, cultura é feita por pessoas, empresas são feitas por pessoas, logo nada adianta se as pessoas não estiverem em sintonia e caminhando em busca de objetivos comuns.

Quer Liberdade? Assuma compromissos sérios e cumpra com eles. Sem confiança, sem entrega, sem responsabilidade, liberade é loucura, no mundo dos negócios é rasgar dinheiro e muitas vezes o fracasso de projetos, produtos e empresas.

Costumo utilizar esta imagem para sintetizar que 80% dos principios do ágil estão relacionados a comportamentos e atitudes e 20% se referem a questões técnicas. Esta é minha interpretação.

Estimativas

Estimativa é um dos maiores desafios na engenharia de software, em um momento o autor do vídeo fala que estimativas são bobagens, em outro ele cita um artigo em que defende. Controverso. Na minha opinião, desenvolver software custa dinheiro, requer estratégia de marketing, de negócio, de comunicação com parceiros, não estamos em um jardim de infância, negócios requerem alinhamento de expectativas quanto a datas, capacidade de entrega, custos, dentre outros. Além disto, vejo refinamentos e alinhamentos riquíssimos acontecerem no momento da estimativa.

Quando pode fazer sentido não estimar? 
Eu acompanhei empresas que possuem um único produto proprietário, vivem dele, todo o dinheiro ganho é investido nele, realizam uma boa priorização, entendem o negócio e são assertivos na entrega. Estimar custava muito para eles, seguiram o movimento do No Estimates e vivem muito bem. Isto quer dizer que estão livres de estimativas? Não, quando o cliente pede algo customizado que interessa a empresa, eles avaliam e estimam aquilo, assumem compromisso de entrega. Ótimo, faz sentido para eles e eu jamais falaria para eles: “vocês precisam estimar”.

Métricas

Números podem não falar muito de futuro, mas podem te dar uma boa visão do que foi realizado e te dar ótimos insumos para tomar decisões. Então, vamos com calma. O autor mesmo cita que existem números que fazem sentido como olhar para o Retorno do Investimento. Logo, identifique o que importa, acompanhe, melhore, não fique no escuro, é burrice. Sem overhead, again.

O lado comercial do Ágil

Sim, é terrível ver péssimos profissionais vendendo caixinhas prontas com soluções mágicas. Este é o mundo dos negócios, existe um mercado gigantesco disto, assim como em diversas outras áreas de conhecimento. Faz parte, cabe a você ter o discernimento necessário do que é bom ou não para o momento que vive.

O lado filosófico do Ágil

Acho muito lindo viver filosofando sobre valores, princípios e deixar as pessoas sem um norte para seguir. O que vejo é que muitos não sabem o que fazer ou evoluem até um ponto que não se sabem mais para onde seguir. Simples assim. Nestes casos a academia e o mercado ajudam muito. Em síntese nem tanto lá, nem tanto cá.

Referências

Dear Agile, I’m Tired of Pretending
GOTO 2015 • Agile is Dead • Pragmatic Dave Thomas
The death of Agile — Allen Holub
Is the Agile Manifesto dead?

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